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Série: Saiba mais sobre Alzheimer
EXISTE TRATAMENTO?

EXISTE TRATAMENTO?

SÉRIE: SAIBA MAIS SOBRE ALZHEIMER

EXISTE TRATAMENTO?

O tratamento da doença de Alzheimer tem dois aspectos: o medicamentoso e o não medicamentoso, e ambos são igualmente importantes. Na doença de Alzheimer ocorre uma perda de neurônios, mas isso não ocorre da mesma maneira em todo cérebro – no início da doença são perdidos principalmente neurônios que usam como mensageiro químico um neurotransmissor chamado acetil-colina, tal perda, no início, ocorrendo principalmente nas áreas da memória e nas responsáveis por alguns aspectos do comportamento, o que explica algumas das primeiras alterações que se verificam nessa doença. Como todo neurotransmissor, a acetil-colina é produzida, ocupa seu receptor para produzir um efeito e é degradada. A perda de neurônios que produzem a acetil-colina faz com que menor quantidade esteja disponível. Para corrigir essa deficiência é possível aumentar a produção dos neurônios remanescentes, diminuir a degradação ou aumentar a afinidade do neurotransmissor pelo receptor. As tentativas de aumentar a produção de acetil-colina administrando, por exemplo, lecitina não apresentam bom efeito na doença de Alzheimer. Por outro lado, medicamentos que inibem a degradação, aumentando a quantidade de acetil-colina disponível, mostram algum resultado. Esse tipo de medicamento é classificado como inibidor da acetil-colinesterase, isto é, da enzima que degrada a acetil-colina. Atualmente estão disponíveis três medicamentos com esta ação: donepezil, galantamina e rivastigmina. Embora tenham ações semelhantes, estas drogas também têm diferenças, por exemplo, a galantamina, adicionalmente, aumenta a afinidade da acetil-colina pelo receptor. Não há prova de que, falando de um modo geral, uma das três drogas seja superior às outras duas, embora individualmente uma pessoa possa responder melhor a uma que a outra. O fato de uma pessoa não responder ou perder a resposta a uma delas não quer dizer que não possa responder a outra e, portanto, faz sentido, se este for o caso, mudar de uma droga para outra se não houver resposta ou se a resposta for perdida.

O que pode ser esperado?

Se houver a decisão de tratar com um inibidor da gradação da acetil-colina, é importante ter em mente algumas informações:

- mesmo que a resposta seja muito boa, e mais acetil-colina fique disponível, os níveis não serão os mesmos da fase anterior à doença, ou seja, não se deve esperar o desaparecimento de todos os sintomas;

- algumas pessoas não respondem a este tipo de medicação. Quando isso ocorre, a família observa que as dificuldades continuam aumentando. Outras apresentam alguma melhora, sem voltar ao que eram antes, e então estabilizam. A maior parte não apresenta uma nítida melhora, mas estabiliza. Pode parecer desanimador pensar em nenhuma melhora como resposta mas, se lembrarmos que a doença de Alzheimer é progressiva, com tendência a pioro contínua, parar de piorar ou reduzir a velocidade da deterioração sem dúvida é um ganho;

- é necessária uma dose mínima para que a medicação tenha algum efeito. Devido aos efeitos colaterais, para qualquer das três drogas é recomendável iniciar com uma dose abaixo da mínima e aumentar devagar. É necessário paciência nesta etapa, mas não esquecer que a medicação em dose abaixo da mínima não tem remota possibilidade de trazer qualquer benefício;

- a resposta pode ser avaliada a partir da repetição de testes para avaliação da memória e de outras funções que apresentam a vantagem da objetividade. De um modo geral, os testes têm correlação com o que a família observa em casa, mas algumas vezes não é o que se verifica, isto é, ainda que uma pessoa mostre estabilização ou melhora nos testes, isto não quer dizer que também vai ocorrer estabilização ou melhora em suas atividades diárias. É claro que ninguém é tratado para melhorar em testes, e por isso as observações da família são tão importantes. As informações de um familiar são até certo ponto, subjetivas, mas sua precisão pode ser melhorada.

Como posso saber se o tratamento está fazendo efeito?

A primeira coisa para sua observação sobre uma possível resposta é evitar o ?efeito saliência?. Para o que estamos vendo aqui, efeito de saliência é um acontecimento inusitado que pode influenciar nossa avaliação sobre o desempenho da pessoa com doença de Alzheimer. Isto pode acontecer tanto no sentido negativo como no positivo. Vamos imaginar alguém que vem tendo muita dificuldade para usar o telefone, faz um telefonema sem nenhuma hesitação. Quando o médico pergunta ?Você acha que houve alguma diferença com a medicação??, levado por esta impressão, o familiar responde que houve melhora. Na situação contrária, imaginemos alguém que não tem dificuldade para usar o telefone, mas que, um pouco antes da avaliação, atrapalha-se ao tentar fazer uma ligação. Impressionado com este fato, o familiar responde que está observando uma piora. Nos dois casos a resposta é falsa, porque se baseou em um fato isolado, que não está de acordo com o que se observa na maior parte do tempo. Para melhorar a precisão das observações, uma boa técnica é escolher alguns aspectos, por exemplo, os que são mais incômodos ou chamativos, e tentar verificar se está havendo uma mudança na intensidade e frequência com que ocorrem.

Com estes pontos em mente, sua resposta à pergunta ?Houve alguma mudança?? será mais confiável.

Como posso ajudar no tratamento?

Como referido acima, o tratamento da doença de Alzheimer não envolve apenas medicação. Enquanto algumas habilidades estão prejudicadas pela doença, outras estão preservadas. É possível usar capacidades preservadas para suprir, pelo menos em parte, as que estão prejudicadas. Pode ser útil a ajuda de psicólogos ou terapeutas ocupacionais para fazer isso. É importante que o profissional tenha experiência na reabilitação dessa doença, que é progressiva, pois as técnicas são diferentes daquelas usadas em outras condições, por exemplo, no tratamento das sequelas de acidente vascular cerebral, onde as dificuldades são estáveis. Algumas coisas você pode fazer por conta própria. Em primeiríssimo lugar, não trate alguém na fase inicial da doença como inválido. Seu objetivo deveria ser manter a vida o mais normal possível e, dentro do que estiver ao seu alcance, preservar a independência de seu familiar. Preservar a independência tem dois efeitos positivos: contribui para manter a dignidade e auto-estima do paciente e diminui sua carga de trabalho. O familiar pode não estar muito disposto a fazer coisas de que ainda é capaz, e cabe a você estimulá-lo. Para isso, esteja atento – algumas coisas podem realmente estar fora do seu alcance e, neste caso, a insistência só produzirá frustração, ou pior, uma reação catastrófica, que é uma crise de choro ou uma explosão de raiva que algumas pessoas com doença de Alzheimer apresentam quando de sentem pressionadas a fazer algo que não conseguem. Geralmente a reação catastrófica é precedida por crescente reclamação sobre a tarefa ou inquietude. Quando estes sinais aparecem e se acentuam é hora de oferecer alguma ajuda ou mudar de atividade.

O segundo ponto importante é a escolha das atividades – é essencial que a atividade seja agradável e tenha algum significado. Para selecionar as atividades, ajuda muito lembrar dos interesses prévios, porque não há razão para que se modifiquem no início da doença de Alzheimer. Isto quer dizer que, se uma mulher jamais gostou de tricô ou um homem nunca se interessou por artesanato, não há razão alguma para acreditar que isso tenha se modificado por estarem na fase inicial da doença de Alzheimer. Por outro lado, atividades que nunca haviam sido praticadas anteriormente, por exemplo, modelagem com argila ou pintura, podem ter resultados altamente satisfatórios. Dentro da atividade escolhida, o nível de complexidade deve ser adequado – nem excessivamente difícil, nem muito fácil - , porque pode levar a atividades infantilizadas, percebidas como tal pela pessoa com doença de Alzheimer, que com toda razão pode deprimir-se ou irritar-se. Muitas pessoas na fase inicial da doença de Alzheimer ainda estão trabalhando e opõem-se a parar. Para algumas atividades, por exemplo, para um médico, se constatada dificuldade de memória e julgamento para o exercício pleno da atividade, isto não mais será possível, pelo potencial prejuízo que possa vir a ser ocasionado. Para outras atividades é possível a continuação, mas pode ser necessária alguma forma de supervisão e, neste caso, um acordo deve ser feito – a atividade continuará, desde que a supervisão seja aceita.

 

Informações retiradas do Manual do Cuidador – Doença de Alzheimer na fase leve, escrito pelo Dr. Paulo H. F. Bertolucci.

19 / Dez / 2019
Centro Geriátrico Cristo Rei

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